Ivone Silva faz história e sagra-se campeã nacional em Montalegre
Montalegre acolheu, entre 26 de julho e 1 de agosto, a edição de 2026 do Campeonato de Portugal de Parapente, prova única do calendário nacional que simultaneamente contou para o ranking mundial da modalidade, reunindo 72 pilotos de várias nacionalidades nos céus da Serra do Larouco.
A Madeira esteve representada por três pilotos da Associação Cultural e Desportiva do Jardim da Serra (ACDJS): Ivone Silva, Evandro Amaro e Ricardo Nuno Rocha Miguel.
A competição previa a realização de sete mangas, uma por dia, mas as condições meteorológicas obrigaram ao cancelamento das mangas de 28 e 29 de julho. A direção e intensidade do vento não permitiam garantir descolagens em condições de segurança para os pilotos, reduzindo para cinco o número de mangas válidas disputadas.
O grande destaque da participação madeirense foi, sem qualquer dúvida, Ivone Silva, natural da freguesia dos Canhas, concelho da Ponta do Sol, que alcançou o mais importante resultado da sua carreira ao vencer a prova em femininos e com isso conquistar o título de Campeã Nacional Feminina de Parapente 2026.
A atleta da ACDJS não só venceu a prova entre as senhoras, nomeadamente a Lituana Rasa (2ª) Grigoraitiene e a portuguesa Sílvia Ventura (3ª) que detinha o título nacional feminino português, como alcançou um impressionante 11.º lugar da classificação geral da prova e o 7.º lugar na classificação do Campeonato de Portugal, superando diversos pilotos nacionais e internacionais com percursos competitivos muito mais longos e experientes, alguns com asas que têm tipicamente mais performance.
Das 5 mangas dias a jovem piloto completou o percurso 4 vezes, em 24ª, 20ª, 11ª e 16ª. Só num dos dias não conseguiu completar a manga aterrando após a 2ª baliza.
A piloto da ACDJS destacou-se igualmente nas classificações por categorias, terminando em 2.º lugar na Classe Serial, destinada a asas homologadas até EN D, e também em 2.º lugar na Classe Sport, reservada a equipamentos homologados até EN C, que é a homologação do equipamento que a Ivone usou.
A homologação de asas segue uma norma europeia e definem se um equipamento tem um comportamento mais exigente ao nível de controlo e se cumprem com os requisitos de integridade física. As asas são classificadas por ordem crescente de exigência pelas letras A, B, C, D e pela sigla CCC que são as asas mais exigentes ao nível de controlo, mas normalmente as que têm maior performance de velocidade e planeio.
O resultado ganha particular relevância quando se analisa a evolução da piloto madeirense. Embora pratique parapente há cerca de sete anos, Ivone Silva apenas iniciou o seu percurso competitivo em 2024, participando inicialmente em provas regionais. A estreia internacional surgiu em Setembro 2025 na etapa de Hike & Fly Kappl & See - Áustria, onde começou a medir forças numa vertente de corrida a pé e voo em parapente ao longo de um percurso de vales e montanhas.
A rápida evolução demonstrada pela atleta dos Canhas não passou despercebida aos responsáveis federativos. As suas prestações valeram-lhe a integração em 2025 na Academia de Voo da Federação Portuguesa de Voo Livre, que prepara pilotos para integrar a Equipa de Portugal e que vão posteriormente representar Portugal nas provas internacionais FAI 1 (Mundiais e Europeu).
Desde então, a piloto madeirense tem vindo a construir um currículo competitivo assinalável. Além da participação na etapa Kappl & See da série de provas de Hike & Fly (corrida e voo) Wanderbirds na Áustria em Setembro de 2025 onde ficou em 2º lugar da prova Tour Women, participou ainda em Outubro na prova de Huéscar - Espanha e em Tenerife da Liga Nacional Espanhola, em dezembro de 2025.
Já durante a presente temporada, marcou presença na Copa Niviuk 2026, disputada em Roldanillo, na Colômbia, e posteriormente na prestigiada Copa de las Américas 2026 no mesmo local.
O calendário internacional da atleta está longe de terminar. Já durante este mês, Ivone Silva voltará a representar Portugal em duas importantes competições internacionais que terão lugar na Macedónia. Primeiro participará no Campeonato da Europa, prova com duração aproximada de duas semanas, seguindo-se depois o Campeonato do Mundo de Juniores, que decorrerá durante uma semana. Em setembro estão igualmente previstas mais duas participações em provas internacionais em França, desta vez a título individual.
Aos poucos, a piloto natural dos Canhas está a afirmar-se como uma das maiores promessas do parapente português. A conquista do título nacional feminino em Montalegre representa não apenas o culminar de uma época de grande crescimento, mas também um importante ponto de partida para desafios de ainda maior dimensão no panorama europeu e mundial.
